Parágrafo sobre "Filosofia da Caixa Preta"

"Filosofia da Caixa Preta" é, até então, um dos livros mais diferentes que eu já li. 
Inicio minha surpresa com o glossário, que pega palavras do cotidiano e as ressignifica, o que devo admitir, ajudou a deixar todo o processo de leitura um pouco mais confuso.
Já em relação ao conteúdo em si, o modo como o propósito da obra parece ser hiper-analisar e destrinchar coisas que nunca pensei sobre definitivamente a confere um caráter reflexivo. O tópico quase que inicial, de imagens x imagens técnicas já é um exemplo, considerando que acho que nunca cheguei a equiparar "ilustrações" a fotos.
O modo como o autor descreve a invenção da escrita também é algo surpreendente e associa questões que eu mesma nunca juntei. No tópico das imagens técnicas, achei interessante como ele as conecta à nossa evolução enquanto sociedade e a um momento de cultura dividida. Definir a imagem técnica como a meta de todo ato é algo que pode parecer meio óbvio mas achei reflexivo no contexto do livro.
Quando surge o tópico de aparelhos, sinto certo afastamento pessoal em relação às opiniões do autor, que determina que aparelhos não trabalham. Entendo a lógica aplicada, mas se "ações" como a de manipular uma câmera sempre existiram e sempre foram empregos me incomoda definí-las como algo outro que trabalho. Talvez não se encaixe na definição tradicional, mas é essa definição que está obsoleta.
Por fim, achei toda a dinâmica de dominador e dominado entre  pessoa e aparelho uma proposta  muito curiosa do autor. Encarar todos esses elementos como uma hierarquia de programas aberta para cima garante toda uma nova perspectiva de um mundo que acreditamos conhecer.

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