Parágrafo sobre "Filosofia da Caixa Preta", capítulos 7, 8 e 9.

Os capítulos 7, 8 e 9 de "Filosofia da Caixa Preta" finalizam essa obra densa de um jeito muito conciso, conectando as ideias e deixando uma reflexão final muito interessante para o leitor.

Um tema tratado no capítulo 7 que se destacou para mim foi o modo como a fotografia impactou o mundo, descrito em vários sentidos. A falsa atitude histórica que elas geram, além do analfabetismo fotográfico e textual foram especialmente intrigantes. Um apontamento que se repetiu foi o da fotografia como a própria realidade, inserido nesse capítulo no contexto de fotos sobre guerra que vemos no jornal. Não consegui deixar de fazer uma associação com as fake news da "guerra" em Israel e Gaza, em que imagens de documentários e outros conflitos mais antigos são utilizadas para inflamar as discussões políticas e polemizar como se fossem a realidade.

Mais para frente na leitura, a discussão sobre a quantidade de imagens que nos cerca também foi interessante. Se destacou uma afirmação do autor, que diz que quanto mais imagens são criadas automaticamente, mais cegos nos tornamos em relação ao mundo real, confusos com tantas cenas. Outras reflexões envolvem a perda do nosso senso de progresso e uma surdez ótica, todas análises que de certa forma, me assustam sobre estar vivendo nesse universo fotográfico.

É muito claro, mesmo não se tratando de um livro recente, que essa é a nossa realidade. Uma frase presente foi "vivenciar passa a ser recombinar constantemente experiências vividas através de fotografias" e é algo inegável do modo de vida atual, com a presença tão forte das redes sociais.

Por fim, a ideia de algo a ser feito sobre esse universo foi apresentada e era uma grande necessidade, já que me senti em Matrix com todos esse aparelhos, mas não sou o Neo.
Flusser afirma que nossa liberdade estaria em jogar contra o aparelho. Pelo decorrer do livro se nota que não é a coisa mais fácil de se fazer, mas de algum jeito ainda parece promissor. Ele coloca ainda que a filosofia da fotografia é "filosofia urgente por ser ela, talvez, a única revolução ainda possível". Sigo agora um pouco perdida e atordoada nesse mundo de Black Mirror, vivendo, fazendo minha parte e esperando ansiosamente a realização das revoluções ainda possíveis.

PS: Eu sei que Flusser não te ama teoria marxista mas eu ainda quero a revolução da classe trabalhadora 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

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