Parágrafo sobre leituras em sala

Os textos "Nosso Programa" e "Imagens com Computador" de Flusser me trazem, antes de tudo, a noção de que estamos em Black Mirror. Mais bizarramente ainda, de que estamos em Black Mirror desde os anos 80, quando ele escreveu esses textos (pelo menos um deles, em 1984). Visionário talvez seja a palavra que eu estou procurando. 

Não consigo não ter uma impressão distópica ao ver algo narrar tão bem nossa realidade atual em um momento histórico em que telefones, e telas, e computadores, e redes sociais como as nossas não existiam. Mas vou focar em outras coisas além do meu choque leigo besta.

Entre os dois textos, conecto o princípio da realidade programática, criada para descrever melhor a situação que se vivia, com a nova sociedade, homem e consciência que ele afirma estarem surgindo com a "arte com computador". Além disso, o modo como Flusser determina essa arte como revolucionária dentro da realidade programática mostraria que aos poucos nos adaptamos sim a sermos jogadores e não só peças de jogo. A nossa existência enquanto jogo absurdo está sendo jogada. Conseguimos enxergar a concreticidade dos aparelhos.

Analisando apenas "Nosso Programa", acho interessante os três recursos apontados. Talvez seja a quantidade nula de livros de filosofia que eu li, mas realmente nunca foi uma ligação que eu fiz. Essa é uma constante toda vez que leio seus textos. Uma coisa que me chama a atenção entretanto, é o modo como pensar de forma causalística é considerado a coisa mais "atualizada" de se fazer. É "engraçado" ver como a vida ainda não é enxergada pela maioria como programática, que as categorias permanecem como "mística" ou "científica" (finalística ou causalística). É considerado "inteligente" seguir os princípios científicos, mas admito que depois dessas leituras, eles parecem mesmo ingênuos.

Eu me perco no conceito de Flusser dos programas. Até sua descrição e modo de falar parecem seguir a lógica programática, infinda e contínua, muito complexa para os meus 2 neurônios. Pelo menos os artistas de computador, foco do outro texto, parecem ter entendido melhor que eu, e tem usado nossa mente, um dos grandes eventos raros do acaso, para jogar contra. Uma esperança meio branda mas boa perto de tanto caos, tanto absurdo dos programas. Mas com toda a minha a-política, me seguro nela.

Obrigada, Flusser. Não é um tchau definitivo. Você foi bem chato de ler, mas com certeza é uma experiência toda vez. Acho que entendi porque você é um dos fodas. Até breve.

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